A inovação, muitas vezes, é vista como algo complexo e difícil de implementar, o que acaba gerando medo nas empresas de correr riscos e não saber por onde começar. Nesta entrevista, Danielle Pepe, especialista Growth & Innovation, traz maneiras de desmistificar a inovação e de como torná-la mais acessível.
Quer conhecer um pouco mais sobre essa nova Black Belt, então continue a leitura!
Danielle Pepe: Acredito que a palavra inovação acabou sendo atrelada a movimentos muitos disruptivos, grandes negócios, quando na verdade a inovação pode acontecer de várias formas e com diferentes níveis de complexidade.
Partindo deste princípio, é possível clusterizar a inovação em grandes 3 grupos:
● Horizonte 1:
Aprimorar o que já funciona, ou seja, defender ou ampliar o negócio no com base no CORE de atuação da empresa, como aperfeiçoar algum trabalho realizado no dia a dia, para que o trabalho se torne mais fácil e eficiente.
● Horizonte 2:
Novos modelos negócios com base nos que a empresa já domina, ou seja, incrementar novas possibilidades/oportunidades ao negócio, podendo ser no CORE de atuação ou algo complementar, mas não saindo totalmente do seu ramo de atuação, como ampliar a distribuição de produtos.
● Horizonte 3:
Criar alternativa para novos negócios, ou seja, olhar para o futuro, arriscar e experimentar novos caminhos, como criar uma unidade de negócio para complementar a atual.
Danielle Pepe: Um dos fatores mais importantes é que toda empresa acredite na inovação e trabalhe de forma séria, com uma governança corporativa flexível e que atue de forma ativa no que envolve inovação.
Vi e vejo muitas empresas querendo inovar, mas não levam a sério ou não oferecem as ferramentas adequadas para que os times avancem no tema – o que chamo de voo de galinha: vemos aquele primeiro impulso e depois o assunto perde força e morre, perdendo oportunidades que poderiam surgir ao longo do processo, além do entusiasmo do time que abraçou o assunto e investiu tempo para fazer acontecer.
É muito importante que a INOVAÇÃO esteja alinhada com a ESTRATÉGIA da empresa, ter claro o que ela precisa resolver, quais os Jobs to be Done mais relevantes para o negócio, para os seus clientes e para os seus colaboradores.
Ter um time interno com skills adequados para tocar as iniciativas é o segundo ponto mais importante, mas sempre com apoio da liderança. Se isso não for possível, uma alternativa é que algumas pessoas possam dedicar parte do seu tempo para olhar para as iniciativas de inovação, o que chamamos de intraempreenderores. Elas podem fazer a diferença dentro da empresa, mas precisam de ferramentas, tempo e apoio de seus líderes para isso.
A liderança tem papel fundamental nesse processo. Acredito que os C-Levels devam ser os primeiros a serem sensibilizados e, acima de tudo, capacitados. Esse é o primeiro passo para que uma organização comece a falar de inovação. Se a liderança não vê a inovação como positiva e estratégica para a empresa, dificilmente qualquer iniciativa desta natureza terá sucesso.
Também é preciso fomentar a cultura de inovação em todas as áreas, afinal inovação pode vir de diferentes setores e nem sempre precisa ser algo radical. As inovações de processos também são importantes e podem ajudar muito no negócio.
Danielle Pepe: Muitas vezes, a inovação é vista como algo que envolve apenas grandes mudanças ou avanços tecnológicos gigantescos. No entanto, ela pode ocorrer em pequenas mudanças e melhorias incrementais que ajudam a resolver algum problema ou facilitar algum trabalho que é realizado.
Essa é a inovação incremental, que visa justamente melhorar ou, como o nome diz, incrementar algo no negócio. Já a radical é aquela que pode mudar totalmente o business da empresa.
O ponto de partida é identificar as dores dos colaboradores e dos consumidores. A partir daí, entender qual produto, serviço ou abordagem a empresa pode oferecer como solução mais adequada. Depois de definido as dores a serem resolvidas, é importante ter KPIs claros que ajude a acompanhar os benefícios da solução oferecida pela empresa, para apoiar a condução da estratégia e não apenas monitorar os resultados.
É fundamental que a inovação esteja de alguma forma incorporada nas metas dos colaboradores e conectada com a estratégia da empresa.
Danielle Pepe: Inovação é um processo contínuo, uma jornada que começa com o olhar do board em ver valor e importância na inovação. Com isso, acredito que possa apoiar empresas e startups a olhar de forma minuciosa as possíveis melhorias/oportunidades nos três horizontes.
Danielle Pepe: Temos os tradicionais cases, como caso da Kodak que perdeu a onda das fotografias digitais por entender que a rentabilidade que os rolos de filme davam era suficientes.
A Blockbuster que não entrou no mercado dos streamings, diferente da sua principal concorrente na época, a Netflix, que começou a testar um novo modelo de negócio enviando dvds a seus clientes em um formato de assinatura.
Recentemente, acompanhei um movimento interessante no mercado pet & moda. A marca de roupas Reserva lançou uma coleção para pets em parceria com Petlove, com foco em 'família multiespécie'. Movimento no mínimo interessante de co-branding.
Nesse exemplo, podemos notar como as empresas precisam estar conectadas nas tendências e comportamento dos consumidores. Afinal, inovação tem como objetivo ajudar a resolver problemas ou dificuldade das pessoas.
Não existe uma fórmula para fazer dar certo, por isso é importante testar exaustivamente no formato MVP (produto viável mínimo), para minimizar os riscos caso a iniciativa não seja a mais adequada e poder ajustar ao longo do caminho.
Danielle Pepe: Como já passei por essa experiência de iniciar um processo de inovação em uma empresa, minha sugestão, caso não tenha conhecimento suficiente internamente, peça ajuda para consultores ou empresas especialistas em implementar jornada de inovação. Parece ser uma tarefa simples, mas não é. É necessário conhecimento, dedicação e muita energia.
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